Um verso cruel
De Augusto dos Anjos
Matou
A minha flor.
Não terei
Sua graça,
Não beijarei
Suas faces.
Não há dor
Que cesse
Ou lágrima
Que seque:
Não há esperança.
A minha flor
Morreu.
9 de novembro de 2009
4 de novembro de 2009
Receita
Escrevo versos
Como quem
Tem pressa.
Não me apetece
A massa aos excessos,
Mas o recheio adocicado
Ou amargo.
Não me interessa
A palavra morta:
Antes aquela
Que toca e vive.
Antes o verso humilde
E a intensão do poeta.
Como quem
Tem pressa.
Não me apetece
A massa aos excessos,
Mas o recheio adocicado
Ou amargo.
Não me interessa
A palavra morta:
Antes aquela
Que toca e vive.
Antes o verso humilde
E a intensão do poeta.
4 de agosto de 2009
Poema para olhos castanhos
O sonho
Leva nas asas
O desejo
De ter por perto
Um par
De olhos castanhos
Brilhantes e pequenos.
Quem dera
Fossem os seus...
Mas se em sonho
Tudo pode,
Por que não
Os seus nos meus?
Leva nas asas
O desejo
De ter por perto
Um par
De olhos castanhos
Brilhantes e pequenos.
Quem dera
Fossem os seus...
Mas se em sonho
Tudo pode,
Por que não
Os seus nos meus?
30 de julho de 2009
Corda Bamba
O caminho embaralhado
Que me trouxe aos seus braços
Estendeu-me um fio bambo,
Feito ponte entre penhascos,
Por qual devo atravessar
Com cuidado de equilibrista
E delicadeza de bailarina.
Treme todo o corpo,
Numa ânsia de chegar
À certeza do amor sensato...
Pé a pé, arrisco -
Eu me equilibro,
Mas temo o fio se romper.
Que me trouxe aos seus braços
Estendeu-me um fio bambo,
Feito ponte entre penhascos,
Por qual devo atravessar
Com cuidado de equilibrista
E delicadeza de bailarina.
Treme todo o corpo,
Numa ânsia de chegar
À certeza do amor sensato...
Pé a pé, arrisco -
Eu me equilibro,
Mas temo o fio se romper.
Marcadores:
caminho,
corda bamba,
equilibrista,
fio,
medo,
penhasco,
poema,
risco
4 de novembro de 2008
Saudade
Existe uma diferença
Entre sentir falta e saudade:
A falta
É ressaca do acostumar-se
À rotina conveniente.
Saudade
É um fechar de olhos
Involutário ao inspirar.
9 de outubro de 2008
Poema de Enlevo
O sono me laçou
Com seu enlevo ingênuo,
Qual borboleta
Voando ao meu redor.
Recordo que a paz
Foi um abraço inesperado
E carinhoso
Que me aqueceu.
O sonho quase era feitiço
De sereia cantando
- E me chamava, chamava...
Eu não ia...
Não queria o sonho:
Desejava a fronteira
Que divide a mente
Em lucidez escassa
E fantasia absurda.
Assim senti tremores
E arrepios
E abonanças.
Senti você aqui,
Como um enleio,
E, enfim, cansada,
Adormeci.
Com seu enlevo ingênuo,
Qual borboleta
Voando ao meu redor.
Recordo que a paz
Foi um abraço inesperado
E carinhoso
Que me aqueceu.
O sonho quase era feitiço
De sereia cantando
- E me chamava, chamava...
Eu não ia...
Não queria o sonho:
Desejava a fronteira
Que divide a mente
Em lucidez escassa
E fantasia absurda.
Assim senti tremores
E arrepios
E abonanças.
Senti você aqui,
Como um enleio,
E, enfim, cansada,
Adormeci.
4 de outubro de 2008
Toda Noite
A Dona Preta
No banco da praça
Reza terço de prata
Calada, parada
Cantando as palavras
Paridas por Deus.
A Dona Preta
Na areia da praia
Repara a barca
Tão perto, exata
Singrando a água
Que nos olhos nasceu.
A Dona Preta
No mato do prado
Respalda o gado
Todo quieto, parvo
Provando o faro
Da flor que morreu.
A Dona Preta
No abrigo do pobre
Brinda à ode
Tão rica, nobre
Retumbando forte
Nos ouvidos meus.
A Dona Preta
No tope da pedra
Imita donzela
Tão pura, bela
Pingando na tela
Do quadro do ateu.
A Dona Preta
Na penumbra bravia
Chora a brisa
Tão terna, fria
Inspirando a poesia
D’ante os olhos teus.
No banco da praça
Reza terço de prata
Calada, parada
Cantando as palavras
Paridas por Deus.
A Dona Preta
Na areia da praia
Repara a barca
Tão perto, exata
Singrando a água
Que nos olhos nasceu.
A Dona Preta
No mato do prado
Respalda o gado
Todo quieto, parvo
Provando o faro
Da flor que morreu.
A Dona Preta
No abrigo do pobre
Brinda à ode
Tão rica, nobre
Retumbando forte
Nos ouvidos meus.
A Dona Preta
No tope da pedra
Imita donzela
Tão pura, bela
Pingando na tela
Do quadro do ateu.
A Dona Preta
Na penumbra bravia
Chora a brisa
Tão terna, fria
Inspirando a poesia
D’ante os olhos teus.
15 de setembro de 2008
Cecília
Se queres me conhecer
Lê bem Cecília.
Não é pelo traço
Nem do rosto,
Nem dos versos:
É pelo espelho
Em que perco a face,
São pelas mãos
Que naufragam sonhos
E, por fim,
Se quebram;
São as lágrimas
Secas feito pedras
E a precariedade
Da felicidade veloz.
Se queres me conhecer,
Não perguntes
Que eu nem sei,
Que eu me perco.
Há quem já tenha dito:
Lê bem Cecília.
Lê bem Cecília.
Não é pelo traço
Nem do rosto,
Nem dos versos:
É pelo espelho
Em que perco a face,
São pelas mãos
Que naufragam sonhos
E, por fim,
Se quebram;
São as lágrimas
Secas feito pedras
E a precariedade
Da felicidade veloz.
Se queres me conhecer,
Não perguntes
Que eu nem sei,
Que eu me perco.
Há quem já tenha dito:
Lê bem Cecília.
28 de agosto de 2008
Pequena
Pequena, teu calmante já está fazendo efeito. Que sentes nessa hora? Sono profundo ou prazer injustificado? Culpa ou paz?
Pequena, a lâmpada ao lado de tua cama ainda está acesa. Desejas ler ou beber mais água? É medo do escuro ou de tropeçar nos sonhos?
Minha Pequena, eu te velo o sono, não me esqueço, mas desejo que me contes: o que sonhas, Pequena?
Pequena, a lâmpada ao lado de tua cama ainda está acesa. Desejas ler ou beber mais água? É medo do escuro ou de tropeçar nos sonhos?
Minha Pequena, eu te velo o sono, não me esqueço, mas desejo que me contes: o que sonhas, Pequena?
Se Achas Normal
Se achas normal
Que passe fome
O teu irmão,
Ou ainda,
Quem venda
Seu caráter
Por qualquer tostão,
Quem sabe
Tu és normal
E o resto do mundo
Não?!
Quem sabe
Não temos mesmo
Que cuidar de nós
E dos outros não?
Se achas normal
Ter preço a menina,
Ter consciência tranqüila
Um pequeno ladrão,
Se não sentes culpa
Por deixar
De estender a mão,
Vai ver tu bem sabes,
Não há o motivo
De preocupação:
Há mesmo
É que cuidar de si,
Dos outros, não.
Se isto te parece sermão
Cuido que já me vou
Pois não tenho motivo
De preocupação:
Tenho é que cuidar
Do que ainda resta;
Do teu descaso, não.
Que passe fome
O teu irmão,
Ou ainda,
Quem venda
Seu caráter
Por qualquer tostão,
Quem sabe
Tu és normal
E o resto do mundo
Não?!
Quem sabe
Não temos mesmo
Que cuidar de nós
E dos outros não?
Se achas normal
Ter preço a menina,
Ter consciência tranqüila
Um pequeno ladrão,
Se não sentes culpa
Por deixar
De estender a mão,
Vai ver tu bem sabes,
Não há o motivo
De preocupação:
Há mesmo
É que cuidar de si,
Dos outros, não.
Se isto te parece sermão
Cuido que já me vou
Pois não tenho motivo
De preocupação:
Tenho é que cuidar
Do que ainda resta;
Do teu descaso, não.
15 de julho de 2008
Poema de Enlace
Teu olho no meu
Exige o cuidado
De se desfazer um laço
Bem devagar.
É ventura de perdição:
Quarto escuro
Dos objetos místicos.
Acarinha e devora,
No tato zeloso ou estabanado.
Teu mistério me confunde
- E eu adoro,
Pois é droga que alucina,
Me consome numa briga
Que já não sei se sou
Desejo ou amor.
Exige o cuidado
De se desfazer um laço
Bem devagar.
É ventura de perdição:
Quarto escuro
Dos objetos místicos.
Acarinha e devora,
No tato zeloso ou estabanado.
Teu mistério me confunde
- E eu adoro,
Pois é droga que alucina,
Me consome numa briga
Que já não sei se sou
Desejo ou amor.
11 de julho de 2008
Maria Flor
Da tua mão pequena,
Que mal abraça
O menor dos meus dedos,
Emana o carinho maior
Que sente a mulher.
Parece que embalo,
Nos meus braços fracos,
A Lua... O Sol...
És luz que penetra o peito,
Percorre a alma
E causa amor profundo.
És ternura,
Botão de rosa, delicada.
Por ser assim, tão linda,
Por ser assim,
Doçura de uma nuvem branca,
É que tens o nome
De Maria Flor.
Que mal abraça
O menor dos meus dedos,
Emana o carinho maior
Que sente a mulher.
Parece que embalo,
Nos meus braços fracos,
A Lua... O Sol...
És luz que penetra o peito,
Percorre a alma
E causa amor profundo.
És ternura,
Botão de rosa, delicada.
Por ser assim, tão linda,
Por ser assim,
Doçura de uma nuvem branca,
É que tens o nome
De Maria Flor.
25 de junho de 2008
Poema da Manhã
No céu,
Desponta o olhar da manhã
Que hipnotiza os girassóis.
Doloroso pensar que
Nem todas as flores
Fiquem admiradas:
A Natureza se faz ingrata
Ao ter necessidade da luz
E ignorá-la.
É como quando tu passas,
Centro das atenções
- Mas já não mais da minha:
Engana estupidamente teu sorriso,
Brilha forjadamente teu olhar.
Desprezo que já me fizeste bem,
Crendo que bem maior virá.
Desponta o olhar da manhã
Que hipnotiza os girassóis.
Doloroso pensar que
Nem todas as flores
Fiquem admiradas:
A Natureza se faz ingrata
Ao ter necessidade da luz
E ignorá-la.
É como quando tu passas,
Centro das atenções
- Mas já não mais da minha:
Engana estupidamente teu sorriso,
Brilha forjadamente teu olhar.
Desprezo que já me fizeste bem,
Crendo que bem maior virá.
27 de maio de 2008
Da Teoria Científica
Envolve a Ciência
Um Mistério maior
Que justifica a forma,
A exatidão de tudo:
Não traça um cisco
Um caminho absurdo,
Nem se desdobra um raio,
No caos de seu risco,
Sem o motivo exato.
Desenrolam as pétalas
A graça trazida
Com um sopro de vento:
Um dia fora semente
E vôou pelo tempo
- Lenta e misteriosamente -
Lançou ao ateu
A questão da vida;
Ao Cristão,
A Maravilha;
Ao coração puro,
Deslumbramento.
Um Mistério maior
Que justifica a forma,
A exatidão de tudo:
Não traça um cisco
Um caminho absurdo,
Nem se desdobra um raio,
No caos de seu risco,
Sem o motivo exato.
Desenrolam as pétalas
A graça trazida
Com um sopro de vento:
Um dia fora semente
E vôou pelo tempo
- Lenta e misteriosamente -
Lançou ao ateu
A questão da vida;
Ao Cristão,
A Maravilha;
Ao coração puro,
Deslumbramento.
26 de maio de 2008
A Lágrima
Escorre lenta, lamentada.
Gota a gota, cai sem graça.
Em cadência de flor
Levada pelo vendaval,
Suave percorre a porcelana
De um rosto de boneca:
É água sem pressa
De um rio tortuoso
- Que tortura,
Com a frieza do destino,
Qual um cravo no coração.
Gota a gota, cai sem graça.
Em cadência de flor
Levada pelo vendaval,
Suave percorre a porcelana
De um rosto de boneca:
É água sem pressa
De um rio tortuoso
- Que tortura,
Com a frieza do destino,
Qual um cravo no coração.
23 de maio de 2008
La Felicidad
Cabe en mi corazón
La paz de un mar
Acariciado por lo viento terral:
Zalema de amor.
En mis recuerdos
Cabe la paz de lo brillo
De la luna, cuando llena:
Embrujo instantáneo.
La paz de una sonrisa,
Un encanto sencillo.
Secreto no hay:
Es felicidad.
(Tradução do Português para o Espanhol de Alexandre Spinelli)
La paz de un mar
Acariciado por lo viento terral:
Zalema de amor.
En mis recuerdos
Cabe la paz de lo brillo
De la luna, cuando llena:
Embrujo instantáneo.
La paz de una sonrisa,
Un encanto sencillo.
Secreto no hay:
Es felicidad.
(Tradução do Português para o Espanhol de Alexandre Spinelli)
19 de maio de 2008
Ballet
Gosto mais das mãos
Da bailairina,
E dos pés,
Que é de onde
Se revela o delicado.
Gosto assim: simples.
Parece-me mais belo
O que leva sutileza,
Pois é pena
Dançando no ar.
Da bailairina,
E dos pés,
Que é de onde
Se revela o delicado.
Gosto assim: simples.
Parece-me mais belo
O que leva sutileza,
Pois é pena
Dançando no ar.
14 de maio de 2008
Cotidiano
Café,
Trabalho,
Nenhum cigarro.
Não espero
Felicidade,
Nem tristeza.
Que a indiferença
Não corroa,
Não doa,
Nem me dissolva.
Trabalho,
Nenhum cigarro.
Não espero
Felicidade,
Nem tristeza.
Que a indiferença
Não corroa,
Não doa,
Nem me dissolva.
30 de abril de 2008
Outoño
(Tradução de Alexandre Spinelli)
Deshoja...
Deshace en el paisaje
Y da la gracia tuya
Sencilla, tierna
Como quien se despide
Con un soplo manso,
De levedad etérea,
De la canción más linda
Que pudiera oír.
Deshoja…
Revela la tuya cara torta
Y ni por eso fea,
Y los tuyos brazos longos,
Hecho quién quiera abrazo,
De quién se fue
Cabalgando al lejos
Y que no vuelve
Antes de la primavera.
Deshoja…
Entrega al viento suave
Lo que te esconde
Muestra tu alma,
Encantada de niña.
Y despide, pues,
De lo que la naturaleza lleva,
Que ya viene lo tiempo
Que te renueva.
Deshoja...
Deshace en el paisaje
Y da la gracia tuya
Sencilla, tierna
Como quien se despide
Con un soplo manso,
De levedad etérea,
De la canción más linda
Que pudiera oír.
Deshoja…
Revela la tuya cara torta
Y ni por eso fea,
Y los tuyos brazos longos,
Hecho quién quiera abrazo,
De quién se fue
Cabalgando al lejos
Y que no vuelve
Antes de la primavera.
Deshoja…
Entrega al viento suave
Lo que te esconde
Muestra tu alma,
Encantada de niña.
Y despide, pues,
De lo que la naturaleza lleva,
Que ya viene lo tiempo
Que te renueva.
22 de abril de 2008
La Felicidad
Cabe no meu coração
A paz de um mar
Acarinhado pelo vento terral:
Cafuné de amor.
Na minha lembrança,
Cabe a paz do brilho
Da lua, quando cheia:
Feitiço instantâneo.
A paz de um sorriso,
Um encanto singelo.
Segredo não há:
É felicidade.
A paz de um mar
Acarinhado pelo vento terral:
Cafuné de amor.
Na minha lembrança,
Cabe a paz do brilho
Da lua, quando cheia:
Feitiço instantâneo.
A paz de um sorriso,
Um encanto singelo.
Segredo não há:
É felicidade.
Assinar:
Postagens (Atom)
